Limites de acesso à internet – erros e concentração econômica

As operadoras de telecomunicações cometem um erro absurdo. E Anatel, aparentemente, cedeu a todas as pressões destas empresas.

Google já trabalha em um sistema de cabeamento de internet submarina na América Latina.

Questão de tempo apenas para que lancem sua própria operadora de banda larga e expandirem ainda mais a sua atuação no território brasileiro e promoverem uma concentração econômica de tal ordem que pode colocar em risco a atuação das operadoras, como já atua nos Estados Unidos com os celulares.

Já está em implementação um sistema de conexão via internet “gratuita” para áreas carentes e onde as operadoras não tem interesse algum de levar infraestrutura e conexão (saiba mais).

Em todos os casos, o Marco Civil da Internet é destruído.
Pelas operadoras quando rompem a neutralidade de acesso.
Google ao fazer a troca do acesso ilimitado pela nossa privacidade.

Estamos cercados!

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11 de maio de 2016 – as consequências de um golpe

11 de maio de 2016: o dia que entrará para a História como o dia do golpe jurídico-parlamentar.

O Estado brasileiro é monopólio das elites que se associam independentemente de suas origens socioespaciais.

O rompimento da dualidade básica pela associação com o lado externo do pólo externo da formação social brasileira.

O capital financeiro internacional alcança o limite de intervenção econômica em que o capital nacional se torna subserviente em todos os níveis. Não se diferencia mais os sócios e atividades e mesmo de “moralidade”.

Um golpe à paraguaia. A Constituição e os instrumentos jurídicos manipulados conforme seus controladores e financiadores.

Um liberalismo que só tem viabilidade econômica a partir das prerrogativas normativas e regulatórias do Estado. Base material e política fundamental para organização de cartelizações e monopólios, com o uso “legítimo” da força jurídica e da força (p.e. a lei de terrorismo e as ações de vigilância da internet).

Esse é só o começo de um período autoritário. Os interesses nacionais e do povo brasileiro são mais uma vez dilapidados.

O Brasil não pode ser um país autônomo em nenhum sentido. Nosso território e nossos recursos são grandes demais para que exista o livre-arbítrio.

Não é a derrota de um governo que perdeu sua capacidade de conduzir a nação. É a reorganização de um sistema econômico internacional que primeiro se denominou “globalização” e agora se torna monopólio global do capital financeiro.

Creio que esse golpe é um Evento. O fim da globalização e a consolidação do monopólio internacional financeiro como regime econômico material.

Fica a dúvida: é o fim das revoluções industriais? Pois o capital se reorganiza sem eliminar as contradições energéticas estratégicas fundamentais, tal como ocorreu com o vapor, a eletricidade e o petróleo.

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Qual é o papel das universidades no Brasil?

Alckimin agora revelou todo o seu pensamento sobre as universidades públicas – AQUI e LINK ALTERNATIVO
 
1) Rejeita todo o papel estratégico que as três universidades representam para a América Latina;
 
2) São mais de vinte anos de administração do tucanato em São Paulo. Toda a cúpula das três universidades foi trocada pelo menos três vezes nesta sequência de administrações. Completamente substituída;
 
3) Culpa um modelo de gestão “petista” da universidade. Partindo dos fatos que apresentei acima, essa declaração traz toda a percepção dele do que pensa sobre ensino, pesquisa e desenvolvimento das três universidades. Não é uma crítica às chefias de departamentos e nem às diretorias das faculdades. É uma crítica à liberdade de pensamento e de pesquisa. A próxima declaração dele será digna de Olavo de Carvalho: doutrinação comunista marxista nas universidades. O exemplo maior será dado o da Geografia Agrária na UNESP, que pesquisa e trabalha MST;
 
4) A única coisa que Alckimin tem razão: sim, as universidades são corporativistas. Mas formadas por profissionais professores que são absolutamente alinhados com o projeto do grupo político do governador há sucessivas administrações das três universidades. Um corporativismo privatista (no sentido de desmonte do modelo construído na década de 30 de universidade), falsamente meritocrático (tanto para entrar em qualquer uma delas, quanto zero apoio aos egressos) e de transparência de gestão questionável. Mesmo com tantas leis e pedidos de abertura das contas das universidades por praticamente todos tipos de organizações da sociedade;
 
5) Em consonância com o governo federal que criou o Ciência Sem Fronteiras, as três universidades públicas de São Paulo tem seus projetos desprestigiados e mesmo desvalorizados diante as pesquisas feitas no exterior. Um pesquisador é formado em grupo de pesquisas, normalmente desde a graduação, vai para o exterior e faz as pesquisas que estão em andamento por lá. Sim, é preciso inovação teórica, metodológica e de inovação. Europa, EUA e Ásia de fato têm excelência de pesquisa. Mas estas pesquisas tem consonância com os projetos aqui? Ou estamos apenas retornando ao periódo de fundação da USP, por exemplo, que trouxeram pesquisadores professores ao Brasil justamente para termos autonomia de pesquisa, desenvolvimento e pensamento no Brasil? Estamos novamente nos submetendo ao valores cientificos “verdadeiros” e “legítimos” do centro do sistema capitalista? O que for pesquisado em paralelo, diferente e mesmo antagonista ao realizado nas grandes universidades do centro do sistema não tem valor?
 
Lamentabilíssimo!
 
 
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As transformações na Saraiva e alguns pontos sobre as livrarias.

Três notícias:

Mesmo com aumento nas vendas, Saraiva tem prejuízo de R$ 5 milhões no terceiro trimestre

Saraiva se prepara para ser uma companhia 100% de varejo

Saraiva inicia projeto-piloto para franquear cafeterias em livrarias

Duas frases:

“Varejista promete endurecer negociações com editores e que aumentará o foco em livros importados e nos infantojuvenis” – subtítulo da matéria

“Temos que ser parceiros, mas também mais duros” – fato apresentado a partir da parcela de participação da Saraiva no mercado.

Alguns pontos:

1) A relação varejo e atacado em geral de fato não é “pacífica”, as negociações sempre são tensas. Muitos negociadores são treinados sob perspectivas “militares”. Não seria novidade se…

2) … a relação entre editoras e livrarias já não fossem delicadas o suficiente atualmente. Senti falta das distribuidoras de livros. Certamente falaram dos fornecedores dos demais itens comercializados pela empresa (eletrônicos, papelaria, audiovisual).

3) Na verdade uma dúvida (im)pertinente: esta postura de endurecimento das negociações a partir da participação no mercado é aprendizado da postura assumida pela Somos Educação, que não trabalhará mais com livrarias? Caso sim, estamos diante de uma postura afirmativa importante. Caso não, estamos diante de uma mudança profunda em como entender a comercialização de conteúdos editoriais? Conteúdos editoriais didáticos se tornarem mercado próprio, independentes da estrutura de distribuição e varejo?

4) LEV, audiobooks e aplicativo de leitura mobile (i.e. celulares e tablets) com resultados positivos. A inserção da tecnologia depende sim dos pontos de venda e não são excludentes. Foi na Saraiva da Mooca que comprei o meu LEV. Foi na Livraria da Vila de Guarulhos que comprei meu Kindle. E o meu primeiro atendimento pós-venda do Kindle foi na Livraria da Vila em Pinheiros (aliás, atendimento EXCELENTE tanto da livraria quanto do consultor Kindle que estava presente no momento e me atendeu);

5) As notícias falam mais em participação no mercado do que necessariamente em ganhos. Demonstração clara de que a presença territorial das livrarias é o modelo de negócio competitivo fundamental. É um forte indicador de que a concorrência com atores econômicos internacionais e nacionais é de fato o negócio livraria física. O ecommerce traz uma experiência muito próxima entre todas as empresas, a fidelização se dá por fatores de comodidade ao cliente. A livraria traz a circulação pela cidade, o se relacionar com profissionais que ouça o que se procura e traga informações, um espaço diferente do ambiente do trabalho e de casa.

Tem mais algumas questões, mas exigem um esforço de análise mais aprofundado. Espero trazê-los nos próximos dias.

Obrigado pela leitura!

ATUALIZAÇÃO: inseri matéria do Valor Econômico sobre franquias de cafeterias para livrarias desenvolvido pela Saraiva.

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Produção dos livros: três estruturas econômicas em conflito

Como se tornou comum nos últimos dias, um fato gera reflexão – as condições de devolução dos livros de livraria para uma editora (AQUI).

Um velho problema precisa voltar ao debate: a relação entre o tripé fundamental da cadeia produtiva dos livros no país – editoras, distribuidoras e livrarias.

É preciso observar os problemas existentes na cadeia produtiva do livro com muita seriedade. Consignação e sistema de distribuição precisam ser repensados com urgência.

Livrarias e editoras não podem ficar em lados opostos. E os problemas fundamentais não são tecnológicos. A inovação também exige mudanças de processos de produção e administração.

Quando trabalhei em livraria, vivi situação semelhante a das fotos. Foram poucas, mas relevantes. No caso era o material que vinha de uma distribuidora. E quando tentamos devolver por falta de condições de venda, alegaram que os danos ocorreram na loja. Para não perder contrato e acesso, algumas faturas foram pagas pela livraria, mas à época fomos obrigados a procurar outras distribuidoras e em condições de negociações mais apertadas.

São problemas que precisam ser encarados de frente por toda a estrutura do mercado. Senão alguém fará no lugar de cada um dos integrantes da cadeia produtiva e tornará hegemônica seu modelo de negócio. E o que me incomoda mais é que estes problemas não foram enfrentados minimamente nestes últimos anos. E fora de período de crise da economia brasileira – para não falar da eterna crise do mercado editorial.

Um dos graves problemas são os acertos existentes para tornar títulos mais visíveis que a imensa maioria dos demais em grandes livrarias. De fato, as maiores impõem suas políticas. E só estão com sua ação hegemônica questionada porque atores ainda maiores entraram no mercado.

As pequenas livrarias enfrentam problemas de acesso a crédito e competência administrativa. As consignações viram crédito e não politica de renovação de lançamentos e livros que vendem bem.

De um lado temos as livrarias, que tem práticas antigas de administração em sua maioria mas já se destacam nomes extremamente criativos, inovadoras e economicamente muito interessantes.

No meio as distribuidoras que são nós de circulação dos livros no território brasileiro – posição apenas comparável aos Correios no ecommerce – cujas práticas ainda serem transbordos de estoque. São empresas de relacionamento entre livrarias e editoras, mas não se destacam grandes inovações administrativas

E na origem as editoras, que enfrentam as dificuldades das práticas administrativas das duas anteriores. Nos últimos anos descobriram as benesses da venda direta aos consumidores via ecommerce, com margens muito superiores de ganhos e capacidade de descontos muito mais amplas. Fora a redução drástica com perdas de mercadoria.

Aqui neste blog mesmo apresentei nos últimos anos várias reflexões neste mesmo tema. Os termos que apresento aqui hoje são quase nada diferentes do que argumentei antes. Infelizmente desde antes das minhas argumentações anteriores o mercado vive um compasso de espera que não se justifica em forma alguma. Quando o debate não é feito de forma ampla dentro de uma cadeia produtiva – repito – atores econômicos mais poderosos impõem suas práticas e políticas administrativas e se tornam hegemônicas. Algumas das gigantes já chegaram. Ainda estão se adequando às condições “sui generis” da Economia Brasileira. Mas é apenas uma questão de tempo para se imporem.

Obrigado pela leitura.

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Amazon e sua livraria física

Creio que a melhor maneira de abordarmos estas ações da Amazon seja a concentração econômica. Ao menos torna o debate mais “verificável” do que tratarmos de predomínio de tecnologia em uma sociedade que está delimitando o que será leitura – por exemplo.
 
A capacidade financeira e logística da Amazon de estipular descontos e lidar com prováveis prejuízos mas garantindo vendas gera um processo de concorrência muito agressivo para as livrarias como modelo de negócio do produto livro (impresso e digital).
 
Abrir livrarias é um passo a mais em um processo de retração (fechamento mesmo) na estrutura econômica das livrarias. Fecham algumas pequenas, abre uma Amazon gerando uma “centralidade” naquele território específico.
 
O desafio de fato está com as grandes redes de livrarias, pois a sua principal característica – a “centralidade” no território por sua eficiência – ganha mais um concorrente.
 
Estamos muito longe do final das livrarias. O que vemos hoje é um processo de inovação schumpeteriano. Problemas graves se evidenciam, mas oportunidades ganham terreno fértil. É possível nomear livrarias em processos inteligentes de crescimento.
 
Amazon quer ocupar o espaço que já é “dela” – seus clientes gostam de frequentar lugares e lojas. A base é atendê-los, expandir o pós-venda do Kindle e “educar” quem não é usuário Amazon.

Interessante que este não é um “retorno às origens” por um detalhes radical: Amazon começou como ecommerce dos livros. Seu crescimento se dá não pela tecnologia em si, mas por atender às limitações territoriais e da cadeia de produção, circulação e comercialização dos livros. A partir deste preceito, atender os desafios que cada território nacional têm fisicamente. E superar com práticas administrativas todas as restrições que o modelo de distribuição de livros ainda vigente impõe. Muito provavelmente foi isso que trouxe à Amazon a sua imensa capacidade de dar descontos e conter prejuízos programados em prol de garantir vendas. O novo cliente, satisfeito, vira um cliente fiel. E vai continuar gastando, mesmo que mal acostumado a ter descontos indefinidamente.

Muito cedo para afirmações. Mas o processo de inovação Amazon já se consolida em concentração econômica em viés monopolista justamente porque ele atende o cliente de forma excelente e “vai atrás” de seu cliente. Sua principal virtude pode se tornar a sua principal forma de diversificação comercial – como resistência e como expansão.

Obrigado pela leitura!
 
 
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Algumas palavras sobre o neoliberalismo autoritário

Depois da “Primavera Árabe” e outras mais recentes (1), o sistema financeiro internacional transforma novamente a sua política de relações internacionais: autoritarismo fascista. A Democracia burguesa não faz mais sentido em suas intencionalidades sócio-espaciais.

Quando as noções de Democracia, Estado de Direito, Constituição e de Liberdade são deliberadamente deturpados, a vida e obra de pensadores como Norberto Bobbio e outros são jogadas na lata de lixo.

Estímulo a estruturas de pensamento e ação política que interessam ao centro do sistema infelizmente não é novidade alguma. Triste é observar que não existe um movimento sequer de questionamento sobre estas estruturas políticas.

Não se trata de questionar oposição ou situação. Não enfrentamos mais uma polarização política. É uma atuação política internacional em escala da capacidade de atuação do Estado, legitimidade de Governo(s) e no caso da América Latina de autonomia nacional. Não se questiona um governo. Se questiona a ordem de pensamento e atuação autônoma de um país.

O mais triste é observar que a direita aprendeu todos os métodos da esquerda para se manifestar. Inclusive o moralismo, conceitos que é nativo da direita que os levam a extremos para fundamentar o autoritarismo e processos de repressão.

A luta de classes se acirra. E se recontextualiza a partir do processo histórico. A crise não é de governos, mas de legitimidade de estratégia das Nações. Daí o surgimento e o estímulo a grupos fundamentalistas cada vez mais radicais. E como os processos de crise são processos de reificação do sistema econômico, o capital se adequa às condições presentes. O que mais se adequa em seus anseios de intervenção nos territórios é o autoritarismo. Se possível fundamentalista, não importando a origem. Todo sistema autoritário fascista é corrupto por sua essência, toda e qualquer contestação é violentamente reprimida. A “livre-iniciativa” do capital é assegurada.

Veremos ainda o acirramento de processos autoritários de política. Temos sombrios se consolidam. Principalmente para os que não se adequam a esta “nova ordem”. A opressão chegará até aos que involuntariamente se vêem em condição de não-consonância.

(1) não cabe aqui nomeá-las pois existe enorme controvérsia.

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