Leitura: dúvidas ontológicas.

Fico aqui pensando… Será que é questão de “substituição” de algo por outra? Ainda mais de práticas e ações? 

A leitura é uma prática, um processo social que ao mesmo tempo é individual.

Prática social porque um livro lido por outros é um exercício coletivo de reflexão a partir de uma base referencial: a obra e o autor.

Individual porque se aprender a ler vendo pessoas lendo, em todos tipos de emoções e posturas pessoais envolvidas com a leitura. 

Se emocionar com uma história que está sendo lida, o exercício de concentração em obras que exigem maior atenção e reflexão. Aprende-se a ouvir com a leitura, pois todo texto é argumentação. Também aprende-se a refletir por argumentos exigem organização de ideias e conceitos, o método. E assim aprende-se a se expressar em todos os sentidos – escrita, fala e mesmo postura pessoal.

Leitura é um processo de experiência, que não se restringe aos indivíduos e nem apenas aos responsáveis por produção de conteúdo. É uma das práticas sociais que tem atuação ontológica: transformar o Ser tanto individual, coletivo (social) e – por que não? – a Geografia.

Retomando. Assim sendo, será que é realmente questão de pensar em “substituições”? Leitura é um processo. O momento histórico é de múltiplas experiências. Uma quebra de limites de criação e de experiência. 

O que precisa ser pensado com radicalidade é a exclusão ao acesso a estas experiências. Ensinar a ler, nos termos aqui apresentados, é colocar a sociedade inteira sob o crivo de um indivíduo é da atuação dele em cidadania. Não ensinar a ler e criar empecilhos ao acesso irrestrito à leitura são ações de poder visando controle e obediência. A leitura como questão geopolítica.

Leitura envolve os sentidos humanos, dentro de suas limitações físicas. O que por si só já seria uma limitação de ordem técnica. Leitura também é interpretação do mundo, integra o processo de objetificação do mundo, como Flusser nos provoca a pensar. Dos objetos, das objetividades e subjetividades, a leitura constrói o Ser. Então não se restringe à tecnologias. Daí a centralidade na experiência. E dos comportamentos como desafio de objetificação do mundo. Uma nova mais-valia.

Assim sendo, não se trata de substituição de técnicas e tecnologia. A mercadoria deixa de ser o livro, mas a experiência. A correlação será feita por professores e quem ensina a ler. As mercadorias que se adequem a isso.

A não ser que não se queira que as pessoas Existam. Que elas não Sejam em suas potencialidades. Isso sim é a barbárie.

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About mezgravis

Formado em Ciências Sociais, mestre em Geografia Humana, pesquisador da economia do livro e da ascensão definitiva das informações no sistema produtivo contemporâneo.
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