O desmonte do sistema universitário brasileiro não é de hoje.

O desmonte do sistema universitário brasileiro não é de hoje.

Só não esperava que uma ação deste nível de baixeza viesse de um governo petista.

É a extensão do plano iniciado com o Ciência Sem Fronteiras – que humilha pesquisadores e professores que desenvolvem suas pesquisas aqui e são colocados em condição de desigualdade com as pesquisas no exterior e os alunos seguem os projetos desenvolvidos lá fora. Seremos eternamente dependentes dos professores dos grandes centros para “fundarem” a formação e a pesquisa no Brasil? Estamos ainda na fase de “importarmos” “grandes mestres”? Em muitas áreas já estamos em condição de igualdade e mesmo de autonomia em pesquisa.

Primeiro deslegitima-se as pesquisas, depois encerra-se o acesso à formação e por fim encerrar as pesquisas autônomas e/ou contradizem as expectativas de mercado. Quantas pesquisas fundamentais foram desenvolvidas e a sociedade só as implementou – como política pública ou mercado – décadas depois?

Esta decisão afeta inclusive importantes centros privados de pesquisa, como as PUCs. Não por crescimento de demanda mas por restrição a financiamento de projetos e parcerias estratégicas que não envolviam recursos financeiros com os centros de pesquisas públicas – como acesso a bibliotecas, intercâmbios entre projetos, disciplinas, entre outras.

A desigualdade de acesso à formação e pesquisa não se soluciona com nivelamento econômico, mas com processos de expansão, estratégia de longo prazo e inteligência de gestão.

Pesquisa é investimento de fundo perdido. Seja público, seja privado. É questão de estratégia nacional. A independência e soberania de um país tem como um de seus pilares a liberdade de pesquisa, pensamento, planejamento e o máximo possível de pesquisa autônoma. Principalmente no meio técnico-científico-informacional.

Voltamos ao Brasil colonial e imperial, que o sonho das elites era mandar os filhos estudarem em Coimbra.

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About mezgravis

Formado em Ciências Sociais, mestre em Geografia Humana, pesquisador da economia do livro e da ascensão definitiva das informações no sistema produtivo contemporâneo.
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