Livros de colorir para adultos – contradições fundamentais se evidenciam.

Eu pessoalmente considero complicado um mercado inteiro depender economicamente de uma estrutura de planejamento gráfico e editorial que é autoria mas não necessariamente leitura. Claro, isso é um sintoma da sociedade, com algumas especificidades no Brasil. Aqui os índices de leitura estão piorando. E o público leitor tem ainda os limites econômicos para aquisição dos livros – o que de fato torna um livro de custo elevado, a capacidade de compra dos orçamentos pessoais e o valores individuais e sociais que são atribuídos ao livro.

Neste meio vieram os livros de colorir para adultos. Atendem a uma demanda das pessoas, é uma estrutura autoral e é produto editorial, mas não é necessariamente um meio de leitura.

Tentando sintetizar: os leitores passaram a ver os livros como algo de custo elevado para os orçamentos pessoais, o stress da vida cotidiana é aliviado com um produto interessante e a base da pirâmide de “não-leitores” se amplia. Ainda bem que os livros de colorir vendem bem, são fonte de renda importante para as editoras que os lançam. Mas é temerário uma estrutura econômica complexa se ver “salva” economicamente por algo que não é o seu objetivo fundamental.

Em grande parte a responsabilidade é das próprias editoras, que se mantém em práticas econômicas de produção absolutamente superadas. E dão sorte de encontrarem “tábuas de salvação” que permitem postergar o inevitável: inovação. Isso para não falar na ação imediata de gigantes econômicos em seus interesses com o mundo dos livros.

Entenda melhor: Livros de colorir salvam o mercado da crise.

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About mezgravis

Formado em Ciências Sociais, mestre em Geografia Humana, pesquisador da economia do livro e da ascensão definitiva das informações no sistema produtivo contemporâneo.
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One Response to Livros de colorir para adultos – contradições fundamentais se evidenciam.

  1. saeditora says:

    Nos anos 90, quando trabalhei na Ed. Globo, fazíamos a agenda Mario Quintana, com versos no topo da página e o resto em branco para anotações. Era um sucesso! Depois, considerada artigo de papelaria, perdeu o Isbn e ganhou status de produto de papelaria, tendo que pagar ICM. A editora desinteressou-se pelo produto, que morreu… Aconteceu com o gênero dos “diários poéticos” o que acontece hj com os “cadernos de colorir”, que a meu ver, nao deveriam ter ganho ISBN…

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